quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Es beleuchtet das Licht!

Excelente jogo de gestão, de conexões e de leilão, Funkenshlag (Power Grid em inglês) distingue-se pela concisão das suas regras, o seu material muito bem produzido e a mais valia de se poder jogar a seis.

Ao nível das regras, a ligação dos vários elementos é clara e curta. Outro aspecto raro e notável é o equilíbrio entre os jogadores; de acordo com a posição relativa de cada jogador, todos terão oportunidades mais ou menos vantajosas; assim, é fundamental decidir com precisão o momento mais oportuno para tomar a dianteira, porque a vida ficará mais facilitada para poder comprar os recursos indispensáveis ao fornecimento das centrais.

Ao nível dos componentes do jogo, podemos afirmar que estamos perante uma belíssima produção, tanto mais que nos dá a possibilidade de jogar em dois cenários diferentes, Alemanha e E.U.A., pois o tabuleiro é impressos dos dois lados, aspecto que é muitas vezes aproveitado, por algumas editoras, para lançar uma expansão e assim nos levar a pagar mais uns cobres!

Power Grid é realmente um jogo muito engenhoso, mas a sua complexidade real não prejudica em nada a sua jogabilidade. Embora não se trate de um jogo para ambientes descontraídos e “familiares”, também não o podemos enquadrar no grupo dos abstractos, pois a sua temática, à partida pouco apelativa, produção e distribuição de electricidade, está presente em todas as atitudes dos jogadores.

Em todas as configurações, Power Grid é um sucesso; no entanto para os admiradores da gestão como mecânica de excelência é bem capaz de ser melhor jogar-se a quatro ou a cinco!

Bons negócios.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Prepare for warp 5...

Era uma vez, numa galáxia remota...

Um jogo de mapa e de desenvolvimento extremamente inteligente, apaixonante pelos seus mecanismos e pelas suas inúmeras possibilidades; vasto e variado como os mundos que povoam o nosso bonito universo.

Este jogo, inspirado em San Juan - a versão de cartas do famoso Puerto Rico - propõe aos jogadores que governem o destino de um império galáctico desde a sua fundação até ao seu apogeu, e que controlem as grandes linhas do seu desenvolvimento. Como o seu antecessor, trata-se de um bom jogo de gestão mas onde o tema dá um salto de vários milhares de anos em frente, abandonando a grande época da colonização e o calor das Caraíbas pela exploração espacial e a imensidão desconhecida do espaço sideral.

O jogo usa várias “inovações” trazidas das obras de ficção científica que dão uma agradável sensação de envolvimento do mundo espacial que se vive durante o jogo. A grande riqueza do ponto de vista temático não é surpreendente, dada a amplitude do assunto tratado. O jogo baseia-se inteiramente num sistema de gestão e selecção de mapas (Card driven) que retoma e mistura com brio um sistema de escolhas de acções e papéis de Puerto Rico e um sistema de combinação de poderes (combo) que fez o sucesso de Magic.

A primeira parte do jogo pode parecer complexa porque o número de poderes e possibilidades oferecidas pelos mapas é bastante desconcertante. Um bom sistema de ícones permite rapidamente reencontrar-se e passa-se menos tempos a analisar os mapas durante as partes seguintes. Um sistema bem concebido que se aprende rapidamente mas que pode tender a ser rejeitado aquando da primeira parte. Ponto forte deste jogo é o desejo que ele dá aos jogadores de delinear estratégias para tentar conquistar novos mundos, novas abordagens, novos poderes...

Race for the Galaxy é o tipo de jogo que não brilha por um sistema, um ambiente, ou uma estratégia específica mas por uma riqueza de escolhas que se renova à medida que se joga uma nova partida. O seu ponto fraco talvez resida na falta de interacção directa entre os jogadores. Não permitindo atacar, seduzir ou surpreender o adversário com um golpe mais ou menos inesperado!

Com efeito, o jogo recorda levemente o excelente Settlers of Catan: jogo de mapa, desenvolvimento, escolhas importantes, estratégias múltiplas: Os colonos propõem uma mesma riqueza de conteúdo mas Race for the Galaxy surpreende pela intensidade das suas partes. Se o primeiro fosse uma corrida de fundo, o segundo dá antes a impressão de ser um sprint. As partes de Race for the Galaxy embalam-se rapidamente e os frutos de uma estratégia amadurecida devem ser consumidos rapidamente sob pena de se ver a derrota ocorrer abruptamente. O jogo merece por conseguinte uma reflexão ponderada de cada momento e a necessidade efectiva de calibrar cada acção, porque cada turno conta realmente.

Rapidez das partes, riqueza das escolhas, intensidade dos mecanismos e desafios incessantemente renovados, qualquer destes elementos contribuem para tornar o jogo terrivelmente aditivo.

Bip…over!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Nuremberga 2008

Para todos os amantes de jogos de tabuleiro, Essen é a feira dos jogos por excelência. Um verdadeiro geek não deverá morrer sem ir a Essen pelo menos uma vez na vida, assim como um muçulmano a Meca.
No entanto, como devem calcular, as exposições/feiras de jogos não se confinam a Essen, existem variadíssimas por esse mundo fora. Uma dessas "segundas escolhas" é Nuremberga, que decorrerá de 7 a 12 de Fevereiro deste ano e que é considerada por muitos, como a 2ª Feira mais importante depois de Essen. Este certame é dedicado só a profissionais da área dos jogos e brinquedos ao contrário de Essen que é aberta ao público em geral.
Nuremberga tem também a particularidade de não disponibilizar uma lista oficial de jogos a serem apresentados/lançados durante o evento, no entanto, alguns sites como o BGG, BGN, Tric Trac vão já adiantado alguns nomes e títulos.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Orientalmente in

Após as catedrais e vikings, parece que o Oriente é o tema mais em voga nos jogos de sociedade do ano que acabou de passar. Chang-Cheng, Ming Dinasty, Dragon Parade, Darjeeling. Muitos títulos recém criados trazem subjacente às suas temáticas o Oriente e os seus mistérios como tema principal. No Ano do Dragão é a China milenar que é colocada em lugar de destaque.
O último nascimento da famosa colecção Alea (Ra, Príncipes de Florença, de Puerto Rico), traz-nos mais uma produção Stefan Feld, um autor que me parece cada vez mais incontornável. Assina aqui o seu terceiro jogo para esta colecção que vem após o simpático Um Ruhm and Ehre e o magnífico Notre Dame. Ano do Dragão é o último must desta colecção e não deixa nada a desejar em relação aos seus antecessores...
Este jogo fala-nos da China - imperial - verdadeiro império, potente, rico mas terrivelmente vasto; tanto que o imperador é obrigado a recorrer a governadores qualificados - os jogadores - para gerir as suas terras. Estes jovens governadores deverão ser muito hábeis para ter êxito na prosperidade das suas províncias, mas também para fazer face às calamidades que não deixarão de se abater sobre o império; duas tarefas ainda mais difíceis tendo em conta que a administração chinesa não é propriamente… flexível...
Já se percebeu que, como em Notre Dame, Stefan Feld põe de novo o conceito de luta e sobrevivência no centro de mais um dos seus títulos. Mas não se trata de simples perguntas sobre que estratégia tomar, o jogo transporta-nos escolhas cataclísmicas nas vastas regiões geridas: fomes, guerras, epidemias, impostos; é proposto ao jogador um mergulho em agitadas correntes de dificuldades a superar. A lista de obstáculos faz medo só de pensar mas o prazer em os ultrapassar pode revelar-se como um elixir de juventude. Os jogadores vibram de impaciência com a ideia de combater o próximo evento, superando-se a si mesmos e superando os outros neste sofrimento comum.
Como em muitos jogos de gestão, é necessário fazer boas escolhas nos bons momentos, para ganhar mais, mas sobretudo para evitar perder demasiado. Esta dialéctica é bastante interessante porque é bastante diferente daquilo que se encontra habitualmente nos jogos de gestão. Uma concepção muito original da gestão que condimenta imensamente as partes, tornando extremamente tensas e difíceis as escolhas de cada acção.
Esta alquimia dá verdadeiramente vida ao jogo, dando-nos a nítida sensação de estar a viver um ano infernal na China. Estar continuamente sobre o fio da navalha sabendo que cada acção poderá ser a última, são sensações particularmente bem devolvidas neste jogo. A tensão é palpável e está presente em quase todos os momentos de uma partida de Ano do Dragão... Sobreviver nunca foi tão lúdico...!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Ontem foi Caylus

Depois de um pequeno precalço (o Jorge não pode aparecer porque estava a chover), acabámos a jogar Caylus a três (a Sílvia substituiu o Jorge!) O Shogun terá de ficar para outra quinta-feira!
Embora seja reconhecido que o meu nível de Caylus deixa algo a desejar, sobretudo vitórias, não quis perder a oportunidade de "aprender" alguma coisinha com dois vencedores natos do famoso título da Ystari Games. O que mais me impressiona em Caylus é que eu adoro toda a mecânica do jogo, mas infelizmente não sou capaz de a abarcar completamente. Mas ontem as coisas até nem me correram mal. Fui conseguindo manter-me perto dos meus adversários no scoring track e fui obtendo alguns favores reais, não deixando nunca de ajudar a construir o castelo (no final do jogo o Gonçalo não conseguiu construir a casa que lhe daria mais um favor real, só porque já não havia espaço para mais casas!!! Foi uma verdadeira corrida ao castelo este jogo.)


Um momento chave do jogo foi quando a Sílvia me alertou que deveria atrasar o 1º scoring para assim poder construir no castelo e não perder pontos por não ajudar na sua construção (obrigado Sílvia!), outro, foi quase no final quando o Gonçalo, usando a vantagem da casa de avançar/recuar Provost me pôs out, cortando a possibilidade de construir um edifíco azul e assim fazer uns pontinhos extra. Confesso que com a jogada do Gonçalo, legítima para quem quer vencer, me fui abaixo e pensei que tinha mesmo acabado para mim. Mas no final, e como não usei o ouro e a pedra que tinha armazenado para construir o edifício azul, acabei por ter recursos suficientes para construir 5 casas no castelo e assim avançar 15 casas no scoring track, conseguindo ainda 2 favores reais que me deram 6 moedas e 5 pontos. Enfim ainda consegui acabar com 95 pontos (!) no 3º lugar a 20 pontos do Gonçalo que ficou em primeiro lugar (115 pontos) e a 12 pontos da Sílvia que ficou em 2º lugar (107 pontos).


Continuo sem conseguir ganhar mas pelo menos consegui jogar com mais noção daquilo que estava a fazer. Gosto do jogo mas infelizmente é daqueles que dificilmente serei muito competitivo (pode ser que não, ainda hei-de aprender mais qualquer coisita!)



Fiquem bem e até breve!

Leiria Con 2008

No próximo dia 26 de Janeiro realizar-se-á mais um encontro nacional de Boardgames em Leiria. Este ano a malta de Leiria brindar-nos-á com um rebuçado muito especial. O "chanceler" Mac Gerdts estará em carne e osso no encontro Leiriense e todos poderemos ouvir as suas novidades.
Toda a malta de Leiria está de parabéns e agora só resta rumar até Leiria. O encontro só tem o custo de uma refeição (11 euros) e a inscrição obrigatória (para efeitos de marcação de lugares no workshop com o autor).
Para mais informações consultem o blog da organização http://spielportugal.blogspot.com.
Mais novidades poderão ser encontradas nos comentários deste post.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Depois do repouso, o regresso à normalidade

Todos teremos por certo tido alguns dias de descanso neste final de ano 2007. Nós cá do Jogoeu não fugimos à regra! Curiosamente acabámos por passar o ano em conjunto, com as nossas mais que tudo e, no meu caso, com as minhas mais que tudo (Isabel, a minha mulher; e a Bea, a minha fihota de 4 anos).
Passámos o ano em conjunto e ainda com a presença do Nuno e da Sónia, um casal de amigos comuns que tiveram a oportunidade de experimentar alguns joguinhos e ficarem com o bichinho!
Como já deu para perceber os jogos não ficaram em casa, pelo contrário, seguiram viagem connosco até Mira (localidade do Distrito de Coimbra onde passámos o ano).
A dificuldade inicial foi selecionar os jogos a levar. No meu caso levei todos os de cartas, mais o Notre Dame, Thurn & Taxis, O Zoo le Mio, entre outros que agora para o caso não interesse muito. Como o Gonçalo também não deixou muitos em casa e o Jorge se fez apresentar com o novinho Zug um zug Europe (fez furor entre os novatos!), o que não faltou foi motivos para... jogar!

Estar para aqui a debitar as inúmeras partidas que disputámos seria massador, por isso vou dar umas pinceladas sobre aquilo que mais me impressionou. Em primeiro, a descoberta de um jogo que o Gonçalo já tem há muito tempo, mas que nunca tinhamos jogado juntos, refiro-me a Guillotine, um jogo de cartas com um sentido de humor apuradíssimo e onde o nosso objectivo é ficar com as cabeças mais valiosas, entre elas a da famosíssima Marie Antonniette e também do grande Cardeal, entre outras personagens. Muito divertido!

Outro dos destaque foi Shogun. Estreou-se em Mira o Shogun da Sílvia e passámos o dia 1 de Janeiro a debolhar as regras e no final, ainda com alguma artrose na fluidez do jogo, fruto da nossa inexperiência, ficou o doce travo de um grande jogo. A sua posição no topo do BGG talvez seja justificada!

Para concluir destaque para outras duas novidades. Galloping Pigs e O zoo le mio. Duas recentes aquisições e que se revelaram exactamente dentro das expectativas com que os comprei. Jogos divertidos com factor sorte e suficientemente fáceis para jogar com amigos que jogam ocasionalmente e não têm disposição para mind burners.

Talvez me esteja a esquecer de alguma coisa... para já não me lembro. Deixo agora algumas fotos ilustrativas...




































Fiquem bem e até breve.