Perdoem-me aqueles que, sabendo muito mais do que eu relativamente a este assunto, discordam da minha opinião.
A minha afirmação baseia-se basicamente em factores eminentemente empíricos - crescimento do números de sites e blogs portugueses ligados à área, aumento do número de registos no site de referência nacional (abreojogo), reconhecimento internacional de alguns jogadores portugueses (GoW), relatos de viagem a Essen 2007,
and so on, and so on... Provavelmente não chega para afirmar com exactidão que o hobbie se está desenvolver no nosso país, mas pelo menos parece estar a crescer (que basicamente é o mesmo?!)
A razão da minha reflexão é simples e objectiva: e agora 2008! Crescer mais, como?
Das leituras feitas aqui e ali, conseguimos saber que países como Espanha e Itália vivem períodos de forte expansão no número de jogadores regulares, enquanto que a França, a Bélgica, a Holanda e a Inglaterra têm realidades ainda mais desenvolvidas no que concerne ao jogo e à sua prática regular, para já não falar na Alemanha, que é o berço dos maiores criadores de jogos de tabuleiro.
Parece mais ou menos consensual que todos os países que mencionei têm índices de qualidade de vida superiores ao nosso, o que atesta, uma vez mais de forma empírica, que nestes países o jogo acaba por contribuir para o seu desenvolvimento (parece-me patético dizer que o jogo aumenta a produtividade económica dos estados, mas já não me custa afirmar que melhora a qualidade de vida dos seus cidadãos!)
Este ano de 2008 é uma porta aberta para o incremento da expansão do número de jogadores regulares e talvez importe definir com clareza os objectivos dessa expansão.
Na minha opinião os jogos têm de chegar cada vez mais cedo e a mais pessoas, logo um dos principais campos de introdução ao mundo dos jogos é a escola. Em Portugal já se vão fazendo muitas aproximações à escola, neste particular talvez valha a pena
ler o artigo do Bruno Valério sobre o livro "Boardgames nas escolas" de Paulo Pereira e Nuno Valente, que se encontra publicado no site "Rede de Jogos" (
e ler o livro também!!); ou dar uma olhadela nas fotos do nosso amigo Pombeiro que levou o jogo à sala de aula do filho. São estas iniciativas que vão com certeza alicerçar o jogo na nossa cultura, colhendo-se daí todos os benefícios que ele promove no desenvolvimento intelectual das crianças.
Outro dos assuntos que talvez fosse interessante discutir durante 2008 é a definição de um prémio anual - do tipo Jogo do Ano Português. Este ano de 2007 já contou com essa atribuição (
Imperial de Mac Gerdts - Jogo do Ano 2006), feita pelos nossos amigos de Leiria, mas as vozes foram mais ou menos dissonantes em relação à duvidosa representatividade desse prémio (parabéns à malta de Leiria por estarem sempre na crista da onda!).
Quer-me paracer que já temos canais nacionais mais ou menos abrangentes que nos permitiriam encetar uma votação de escala nacional, que assente em dois ou três encontros de carácter nacional, sustentariam uma escolha representativa do gosto nacional em relação ao Melhor do Ano. Talvez não fosse difícil encontrar o regulamento do Spiel des Jahres ou outros prémios anuais, para assim podermos fazer o nosso próprio regulamento nacional. O júri nacional, composto por 4 ou 5 elementos (?!), poderia também ser seleccionado por votação...
Outra das medidas que se deveria promover é a maior acessibilidade aos jogos, para que quem compra, o possa fazer com conhecimento daquilo que está a comprar. Neste âmbito talvez as bibliotecas municipais pudessem fazer muito mais do que aquilo que estão a fazer, mas há que interpelar...
Bom, fica aqui um punhado de ideias que talvez possam ajudar alguém, que
possa mais que eu, a dar uns passinhos para a frente na expansão do hobbie em Portugal.
Fiquem bem e até breve.