Um grande abraço e muito obrigado pelo excelente testemunho Cacá!
No Brasil sempre tivemos uma boa tradição em sentar com a família e passar horas agradáveis jogando, mas é claro que isso na maioria das vezes remete aos clássicos como Banco Imobiliário (Monopoly) e WAR (uma variação do RISK), mas nesses últimos 25 anos tivemos grandes lançamentos por aqui que acompanhavam uma tendência mundial.
Nos anos 80 grandes títulos vindos de fora passaram pelas prateleiras de brinquedos, tais como Interpol (Scotland Yard), Top Secret (Heimlich & Co.), Cartel (Acquire), Diplomacia (Diplomacy), Contátos Cósmicos (Cosmic Encounter). E tivemos uma grande produção nacional também com bons jogos como RPM e WAR 2 (ambos criados por Mário Seabra) e Escrete (criado por Chico Buarque).
Mas de todos esses casos, apenas o Banco Imobiliário e o WAR ainda vêem mercado, e o que completa essa falta de visão são a proliferação de versões desses jogos somado a quantidade exagerada de party-games, que acabam por fazer com que não haja renovação de público.
BRASIL E OS JOGOS MODERNOS
Atualmente existem várias iniciativas visando mudar esse cenário, afinal temos uma profusão de novos títulos na europa e USA que chegam até nós através de importação, e que poderiam estar sendo lançados por aqui pelos selos que dominam o mercado.
O problema é que apenas as pequenas empresas estão tentando com mais afinco transformar o que atualmente é um nicho em um mercado rentável. A primeira a fazer esse tipo de teste foi a DEVIR que no início dessa década chegou a lançar o Catan e Carcassonne, mas ao contrário do que acontece com a DEVIR Portugal e Espanha, não foi dado mais nenhum passo adiante (mesmo com os lançamentos anteriores tendo sua tiragem esgotada).
Outros casos de tentativa de trazer uma luz para cá vieram da Odysseia (Arte Moderna) e da Ceilikan (Samurai), ambas investiram pesado nos seus lançamentos, tendo se preocupado em criar um novo design aos jogos e não somente traduzir as regras e vendê-los. Mas depois desses lançamentos também nada mais foi feito.
OS CLUBES DE JOGOS, A ILHA DO TABULEIRO E EVENTOS
Aqui no Brasil temos a sorte de em vários cantos do país existirem grupos de jogatinas e eventos regulares (tais como a JogaSampa e o Castelo das Peças) que cada vez mais trazem novos adeptos ao hobby e servem como alavanca para tentar abrir os olhos das grandes empresas.
Um resultado prático foi que depois de mais de 35 anos tivemos uma etapa do campeonato de Monopoly no país. Temos também o site Ilha do Tabuleiro, que tenta trazer o que há de mais moderno em lançamentos, e traça um paralelo ao Board Game Geek que é a referência mundial em jogos.
Com isso fica a cargo dos gamers mais experientes tentar buscar soluções para começar a trazer jogos, com o intuito de mostrar pra molecada nova que existem outras opções de diversão além dos video-games.

